Éramos o típico casal, que tinha ambos sentimentos de amor e ódio. Mas o ódio dominou de uma certa forma que pensávamos que não daria mais certo. E então ao chegar em casa, ela estava à ponto de colocar um bilhete sobre a mesa. Mas desistiu. Ela recolheu o pedaço de papel e colocou-o dentro do casaco. E ela simplesmente disse que partiria. E não me importei e disse sem medir palavras: ” - Vá, estás livre.” A ponto de ouvir o que eu disse, ela pegou as malas e sequer olhou nos meus olhos. Era de se ouvir que estava se desmanchando em lágrimas. Talvez esperava um simples “fica”, o orgulho foi maior. Ela pegaria o terceiro trem do dia seguinte. Que partira tão cedo, antes mesmo do sol nascer. Assim que ela saiu, fechei a porta com uma certa angústia. Estava frio, fui ao quarto pegar um meia pra pôr nos pés. Abri a gaveta de meias e, abaixo de uma meia furada qualquer, me deparei com uma fotografia nossa. Estávamos fortemente abraçados e aparentemente sorridentes. Me veio um sorriso espontâneo e involuntário. Atrás dizia: - ” Juntos para sempre, meu amor.” Ao ler essa mensagem, me veio cenas de toda a nossa história. Era como um curta-metragem não organizado, as imagens passavam numa grande velocidade diante dos meus olhos. E sem perceber, uma lágrima escorreu por todo meu rosto, terminando no queixo. Sequei-a e pensei comigo mesmo: - ” Que burrada que eu fiz? Deixei a mulher da minha vida ir embora.” Sem medir esforços, peguei meu casaco coloquei o celular no bolso, enrolei um cachecol no pescoço, corri até a estrada e peguei o primeiro táxi a caminho do centro da cidade. Havia um trânsito tremendo, houve um acidente. Com pressa, passei ao lado daquele tumulto e sequer notei quem estava debruçado ao chão. Eu queria mesmo é chegar o quanto antes dela pegar o trem para partir. Faltando pouco tempo pra chegar ao centro, o celular toca. Era um número desconhecido. Meio receoso atendi e perguntei:
- Alô?!
- Alô! Aqui quem fala, é do pronto socorro da vossa cidade.
- Sim, o que deseja?
- Aconteceu um acidente gravíssimo, na avenida próximo ao centro. Com uma moça.
- Como assim, eu conheço a moça?
- De fato, ela mencionou um nome e um telefone. - Imediatamente liguei e o senhor atendeu.
- Não pode ser! - Estou a caminho.
Minutos depois eu cheguei ao acidente, estava lá, a tal moça debruçada de costas. O cabelo era familiar. Os médicos a viraram de frente, era ela, a mulher da minha vida. Toda ensanguentada. Não me contive e desabei em lágrimas. A situação era muito grave. Tiraram o casaco dela e o bilhete que ela haveria de deixar sobre a mesa aquela hora, caíra ao chão e o vento a meu favor traz aquele bilhete de papel até a minha mão. Segurei-o, minhas lágrimas caíram sobre bilhete e o deixou úmido. Estava sutilmente dobrado em quatro partes. Abri e nele dizia: ” O nosso amor foi o dos mais lindos, mas nos deixamos abater por meros detalhes. Peço-lhe um tempo. Estou partindo, estou indo pra minha mãe. Ligarei assim que chegar. PS: Eu te amo! O exame de maternidade, deu positivo. Estou grávida. Lembre-se da nossa promessa: Juntos para sempre, meu amor.” Ao terminar de ler, me veio um aperto no peito, a direita vinha o médico a minha direção e diz: - Sinto muito!
A partir daquele momento, meu mundo havia entrado em transe, meus coração acelerou, veio aquele sentimento de culpa, meus olhos ficaram embaçados e ficou tudo escuro. Acordei assutado no meu quarto na esperança de tudo não ter passado de um sonho. Olhei para os lados, procurando ela… Não encontrei. No bidê ao lado, estava aquela foto encontrada na gaveta de meia e um bilhete que dizia: ” Juntos para sempre.” Pulei da cama corri para a cozinha, lá estava ela, preparando meu café da manhã. Pensei: ” - Ufa, não passou de um sonho. Imediatamente corri sorrindo, abracei-a por trás e disse: - Te amo meu amor… Juntos para sempre.” Ela sorriu e disse: - Ué, aconteceu alguma coisa?
- Não, eu só não quero te perder, pra depois dar valor.
- Que lindo amor, te amo.
- Eu amo mais, pode ter certeza.